Melquisedeque

A Ordem Sacerdotal de Melquisedeque

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Desde os primeiros dias encontramos o procedimento de o filho mais velho suceder o pai no encargo dos assuntos religiosos. O primogênito, portanto, exercia um sacerdócio entre os familiares, ainda que em cada lar o homem, também, devesse exercer sua autoridade espiritual em sua família imediata.

“Nos tempos primitivos cada homem era o sacerdote de sua própria casa. Nos dias de Abraão, o sacerdócio era considerado direito de primogenitura do filho mais velho”. Patriarcas e Profetas, 350.

Após o dilúvio, a raça humana recomeçou com os três filhos de Noé. A verdade divina deveria ter especialmente Sem como guardião, o filho mais velho, bem como sua descendência. No entanto, no decorrer do tempo se corromperam. Abraão, que era desta linhagem, foi chamado para sair da parentela. Deus tencionava recomeçar com Abraão e sua descendência.

“Depois da dispersão de Babel, a idolatria tornou-se novamente quase universal, e o Senhor deixou afinal os empedernidos transgressores que seguissem seus maus caminhos, enquanto escolheu a Abraão, da linhagem de Sem, e o fez guardador de Sua lei para as gerações futuras. Abraão tinha crescido em meio de superstição e paganismo. Mesmo a casa de seu pai, pela qual o conhecimento de Deus tinha sido preservado, estava a entregar-se às influências sedutoras que os rodeavam, e “serviram a outros deuses” (Jos. 24:2) em vez de Jeová”. Idem, 125.

Muito tempo depois, com a saída do povo de Israel do Egito, foi separada uma tribo especificamente para cuidar do serviço do tabernáculo. Sendo que o sacerdócio em si, foi restringido à família de Arão.

“Por determinação divina a tribo de Levi foi separada para o serviço do santuário. […] Por meio desta honra distinta manifestou Ele Sua aprovação à fidelidade da mesma, tanto por aderir ao Seu serviço como por executar Seus juízos quando Israel apostatou com o culto ao bezerro de ouro. O sacerdócio, todavia, ficou restrito à família de Arão. A este e seus filhos, somente, permitia-se ministrar perante o Senhor; o resto da tribo estava encarregada do cuidado do tabernáculo e de seu aparelhamento, e deveria auxiliar os sacerdotes em seu ministério, mas não deveria sacrificar, queimar incenso, ou ver as coisas sagradas antes que estivessem cobertas”. Idem, 350.

Vale salientar que, apesar disso, Deus chamou toda a nação para ser um povo santo e um reino sacerdotal (Êxodo 19:5-6). Portanto, todo o povo deveria se preocupar com sua espiritualidade. Ademais, esta configuração do serviço do santuário, não tinha como propósito, anular o papel do pai como líder espiritual na família.

O mesmo chamado é direcionado para a Igreja. O apóstolo diz que somos geração eleita, sacerdócio real, nação santa, e povo adquirido, “para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (I Pedro 2:9).

Mais uma vez, isso não anula a liderança espiritual familiar do marido/pai. Nem tampouco, interfere na ordem sacerdotal de Melquisedeque, que atualmente, está em vigor. Mas, antes de entrarmos no estudo deste sacerdócio, interessante focarmos por um momento, no fato, de que Deus sempre trabalhou com planos de contingência.

A nível individual, temos por exemplo o caso de Esaú e Jacó, onde, devido ao primogênito ser rejeitado, o sacerdócio ficou nas mãos do mais novo. Mais interessante para o caso em questão, é notarmos o que ocorreu com a família de Eli. Embora os filhos de Eli viessem da genealogia sacerdotal, não tinham condições de oficiarem. (I Samuel 2:12-17, 22-26). Eram da tribo de Levi e da casa de Arão, mas não eram fiéis. Deus, então, os rejeitou, bem como a descendência deles. (I Samuel 2:27-36; I Reis 2:27). Apenas dois versos destacamos para a leitura:

“Portanto, diz o SENHOR Deus de Israel: Na verdade tinha falado eu que a tua casa e a casa de teu pai andariam diante de mim perpetuamente; porém agora diz o SENHOR: Longe de mim tal coisa, porque aos que me honram honrarei, porém os que me desprezam serão desprezados”. I Samuel 2:30.

“E eu suscitarei para mim um sacerdote fiel, que procederá segundo o meu coração e a minha alma, e eu lhe edificarei uma casa firme, e andará sempre diante do meu ungido”. I Samuel 2:35.

O Senhor chamou Samuel para dar continuidade ao serviço do santuário em substituição aos filhos de Eli. Samuel era da tribo de Levi, mas não da mesma linhagem que vinha a casa de Eli. Levi teve três filhos: Gérson, Coate, e Merari. Os filhos de Coate são: Anrão, Izar, Hebrom, e Uziel. Anrão gerou a Arão e Moisés. Samuel vinha da descendência de Izar, filho de Coate. (I Crônicas 6:1-3, 33-38). Portanto, quando Samuel foi escolhido para ser sacerdote, a casa de Arão foi rejeitada, uma vez que, como vimos, ele vinha de outra linhagem dentro da tribo de Levi.

Através desta lição, fica claro que “as promessas e as ameaças de Deus são igualmente condicionais.” (Evangelismo, 695). “As promessas de Deus a eles se fossem obedientes, e as maldições que sobre eles viriam, se fossem desobedientes” (História da Redenção, 171). Portanto, a condição favorável é mantida pela obediência.

Agora vamos nos dirigir para o assunto central deste estudo. O personagem Melquisedeque aparece na Bíblia no episódio em que Abraão resgata Ló, que havia sido levado como cativo de guerra. As Escrituras relatam que após o patriarca sair vitorioso da guerra, Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote de Deus, veio ao seu encontro com pão e vinho e o abençoou. Esta narrativa que ocupa apenas três versos, termina dizendo: “E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo”. (Gênesis 14:18-20).

“Outro que viera para dar as boas-vindas ao patriarca vitorioso, foi Melquisedeque, rei de Salém, que trouxe pão e vinho para alimento de seu exército. Como “sacerdote do Deus altíssimo, pronunciou uma bênção sobre Abraão, e deu graças ao Senhor que operara um tão grande livramento por meio de Seu servo. E Abraão “deu-lhe o dízimo de tudo”.” Patriarcas e Profetas, 136.

“Melquisedeque, conferindo a bênção a Abraão, reconhecera Jeová como a fonte de sua força e autor da vitória: “Bendito seja Abraão do Deus altíssimo, o Possuidor dos céus e da Terra; e bendito seja o Deus altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos”. Gên. 14:19 e 20.” Idem, 157.

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Em relação à prática do dízimo, Ellen G. White comenta o fato de que é um costume que precede, em muito, às leis da nação israelita:

“Mas o sistema dos dízimos não se originou com os hebreus. Desde os primitivos tempos o Senhor reivindicava como Seu o dízimo; e tal reivindicação era reconhecida e honrada. Abraão pagou dízimos a Melquisedeque, sacerdote do altíssimo Deus. Gên. 14:20. Jacó, quando em Betel, exilado e errante, prometeu ao Senhor: “De tudo quanto me deres, certamente Te darei o dízimo.” Gên. 28:22. Quando os israelitas estavam prestes a estabelecer-se como nação, a lei dos dízimos foi confirmada, como um dos estatutos divinamente ordenados, da obediência ao qual dependia a sua prosperidade”. Idem, 525.

“O sistema do dízimo remonta a um tempo além dos dias de Moisés. Requeria-se que os homens oferecessem dádivas a Deus com intuitos religiosos antes mesmo que um sistema definido fosse dado a Moisés — já desde os dias de Adão. Cumprindo o que Deus deles requeria, deviam manifestar em ofertas a apreciação das misericórdias e bênçãos a eles concedidas. Isto continuou através de sucessivas gerações, e foi observado por Abraão, que deu dízimos a Melquisedeque, sacerdote do Deus Altíssimo”. Testemunhos para a Igreja, Vol. 3, 393.

O texto bíblico declara que Melquisedeque era rei de Salém. Na história da escolha da capital do reino de Israel por Davi, descobrimos a localização de Salém.

“Logo que Davi se estabeleceu no trono de Israel, começou a procurar um lugar mais apropriado para a capital de seu reino. A trinta quilômetros de Hebrom, foi escolhido um lugar para a futura metrópole do reino. Antes que Josué tivesse guiado os exércitos de Israel pelo Jordão, chamava-se ele Salém. Perto deste lugar, Abraão tinha provado sua fidelidade a Deus. Oitocentos anos antes da coroação de Davi, fora a residência de Melquisedeque, o sacerdote do Deus Altíssimo. Ocupava uma posição central e elevada no território, e era protegida por inúmeras colinas. Estando nos limites de Benjamim e Judá, encontrava-se muito próxima de Efraim, e era de fácil acesso a todas as outras tribos. A fim de conseguir este local, os hebreus tinham de desapossar um resto de cananeus, que mantinham uma posição fortificada nas colinas de Sião e Moriá. Esta fortaleza era chamada Jebus, e seus habitantes eram conhecidos por jebusitas. Durante séculos, Jebus fora considerada inexpugnável; mas foi sitiada e tomada pelos hebreus sob o comando de Joabe, que, como recompensa de seu valor, foi feito comandante-geral dos exércitos de Israel. Jebus tornou-se então a capital nacional, e seu nome pagão foi mudado para Jerusalém”. Patriarcas e Profetas, 703.

Quando nos deparamos com Melquisedeque, este enigmático personagem, uma pergunta que surge é: como ele se tornou sacerdote, mesmo não tendo genealogia sacerdotal?

Esse aspecto da questão o apóstolo Paulo aborda de forma bem abrangente no capítulo 7 de Hebreus.

Antes de mais nada, já poderíamos concluir, sem maiores receios, de que Deus poderia ter agido nesse caso de acordo com seu princípio geral de favorecer os que lhe são obedientes, tal como analisamos anteriormente.

O Espírito de Profecia também nos informa que:

“Deus nunca ficou sem testemunho na Terra. Em determinada época, Melquisedeque representou o Senhor Jesus Cristo em pessoa, para revelar a verdade do Céu e perpetuar a lei de Deus”. (Carta 190, 1905). Comentário Bíblico, Vol. 1, 1093.

Vamos atentar ao que é declarado pelo apóstolo nos primeiros versos:

1 – “Porque este Melquisedeque, que era rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, e que saiu ao encontro de Abraão quando ele regressava da matança dos reis, e o abençoou;

2 – A quem também Abraão deu o dízimo de tudo, e primeiramente é, por interpretação, rei de justiça, e depois também rei de Salém, que é rei de paz;

3 – Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre.

4 – Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu os dízimos dos despojos.

5 – E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm ordem, segundo a lei, de tomar o dízimo do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que tenham saído dos lombos de Abraão.

6 – Mas aquele, cuja genealogia não é contada entre eles, tomou dízimos de Abraão, e abençoou o que tinha as promessas”. Hebreus 7.

Neste texto, Paulo não está dizendo que Melquisedeque surgiu do nada. Mas tal como é declarado no verso 6, o que ele não tem é genealogia sacerdotal (“contada entre eles”). É dito, também, que ele é semelhante a Cristo. Melquisedeque não tinha pai ou mãe na genealogia, e o tipo de sacerdócio dele, isto é, o fundamento de sua ordem sacerdotal, não tinha início nem fim. Sua base não é a linhagem sanguínea, mas a obediência a Deus. No caso de Jesus, estas coisas não são ilustrativas, mas reais. Ele de fato, é “sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida”. Uma declaração, portanto, bem explícita a favor da plena divindade e eternidade de Cristo.

Ao contrário de certas especulações, Melquisedeque não é o próprio Jesus. Mas sim, um representante dEle. O texto diz: “sendo feito semelhante ao filho de Deus”. Este trecho se refere tanto à pessoa de Melquisedeque, como ao tipo de ordem sacerdotal da qual ele se tornou símbolo. De qualquer modo, se fala que é “semelhante”, é porque não é a própria realidade da qual se assemelha, ou seja, não é o próprio Cristo.

Ellen G. White, também comenta sobre este ponto:

“Foi Cristo que falou através de Melquisedeque, o sacerdote do Deus altíssimo. Melquisedeque não era Cristo, mas era a voz de Deus no mundo, representante do Pai. E através de todas as gerações do passado, Cristo falou; Cristo dirigiu Seu povo, e tem sido a luz do mundo. Quando Deus escolheu a Abraão como representante de Sua verdade, tomou-o de sua terra, para fora de sua parentela, pô-lo à parte. Desejava moldá-lo de acordo com o Seu próprio modelo. Desejava ensiná-lo de acordo com o Seu plano. Não lhe devia ser imposto o molde dos mestres do mundo. (Review and Herald, 18 de fevereiro de 1890). Mensagens Escolhidas, Vol. 1, 409-410.

Além de o texto eliminar margens especulativas ao dizer com todas as letras, que “Melquisedeque não era Cristo”, é significativo o trecho em que é dito que Deus desejava moldar Abraão de acordo com o Seu próprio modelo. Ensiná-lo de acordo com o Seu plano e não o dos mestres do mundo. O patriarca da fé teve que se distanciar de sua parentela, pois haviam se corrompido. Teve que se desapegar da idéia de que somente um sacerdócio da linhagem sanguínea, poderia ser aceito como guardador da verdade. Abraão, ao se deparar com Melquisedeque, reconhece que ele era sacerdote do verdadeiro Deus, a despeito da falta de genealogia. Ele dar os dízimos de tudo, mostra o seu nível de confiança para com aquele ilustre homem que, além de sacerdote, era rei. Este é mais um ponto interessante, visto que prefigura a Cristo.

Jesus Cristo é o nosso grande sumo sacerdote, segundo a ordem sacerdotal de Melquisedeque. Atentemos para os textos a seguir:

14 – “Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão.

15 – Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.

16 – Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno”. Hebreus 4.

“Chamado por Deus sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque”. Hebreus 5:10.

“Cristo anelava que seres humanos conturbados, oprimidos e cansados fossem a Ele, para que lhes pudesse dar luz, vida, alegria e paz que não se encontram em nenhum outro lugar. Esses próprios pecadores eram objeto de Seu profundo, sincero interesse, compaixão e amor. Mas na Sua maior necessidade de simpatia humana, na hora de Sua maior prova e mais pesada tentação, os mais promissores dentre Seus discípulos O abandonaram. Ele foi realmente compelido a pisar sozinho o lagar, e dos povos nenhum houve que se achasse com Ele. Uma atmosfera de apostasia O rodeava. Por todos os lados podia Ele ouvir sons de zombaria, insulto e blasfêmia. Qual era então a perspectiva para Seus discípulos, deixados num mundo que não tolerava o Filho do Deus vivo? …

A obra de Cristo se encerrou quando Ele expirou na cruz, bradando em alta voz: “Está consumado!” O caminho fora aberto; o véu, rasgado em dois. Os pecadores podiam aproximar-se de Deus sem ofertas sacrificais, sem os serviços de um sacerdote. O próprio Cristo era sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque”. (Man. 128, 1897). MM, 2002, Cristo Triunfante, 292.

Visto que Jesus não era da tribo de Levi, mas sim de Judá, ele não poderia ser sacerdote de acordo com a ordem levítica. (Vale a pena mencionar também que as profecias indicavam que o Messias viria da tribo de Judá, e da casa de Davi). Importava, então, que Ele viesse de uma ordem diferente, estabelecida em outra base. Paulo comenta sobre isso, também, e diz que a lei do sacerdócio levítico foi abolida, uma vez que, agora, Jesus é o único sacerdote.

11 – “De sorte que, se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico (porque sob ele o povo recebeu a lei), que necessidade havia logo de que outro sacerdote se levantasse, segundo a ordem de Melquisedeque, e não fosse chamado segundo a ordem de Arão?

12 – Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei.

13 – Porque aquele de quem estas coisas se dizem pertence a outra tribo, da qual ninguém serviu ao altar,

14 – Visto ser manifesto que nosso Senhor procedeu de Judá, e concernente a essa tribo nunca Moisés falou de sacerdócio.

15 – E muito mais manifesto é ainda, se à semelhança de Melquisedeque se levantar outro sacerdote,

16 – Que não foi feito segundo a lei do mandamento carnal, mas segundo a virtude da vida incorruptível.

17 – Porque dele assim se testifica: Tu és sacerdote eternamente, Segundo a ordem de Melquisedeque.

18 – Porque o precedente mandamento é ab-rogado por causa da sua fraqueza e inutilidade”. Hebreus 7.

“Que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos do povo; porque isto fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo”. Hebreus 7:27.

O capítulo 8 continua nesta mesma linha de raciocínio e expande o assunto, de maneira a deixar claro, que Jesus não é sumo-sacerdote em um santuário terrestre, mas no verdadeiro, fundado no Céu por Deus, não o homem.

1 – “Ora, a suma do que temos dito é que temos um sumo sacerdote tal, que está assentado nos céus à destra do trono da majestade,

2 – Ministro do santuário, e do verdadeiro tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem.

3 – Porque todo o sumo sacerdote é constituído para oferecer dons e sacrifícios; por isso era necessário que este também tivesse alguma coisa que oferecer.

4 – Ora, se ele estivesse na terra, nem tampouco sacerdote seria, havendo ainda sacerdotes que oferecem dons segundo a lei,

5 – Os quais servem de exemplo e sombra das coisas celestiais, como Moisés divinamente foi avisado, estando já para acabar o tabernáculo; porque foi dito: Olha, faze tudo conforme o modelo que no monte se te mostrou.

6 – Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de uma melhor aliança que está confirmada em melhores promessas.

7 – Porque, se aquela primeira fora irrepreensível, nunca se teria buscado lugar para a segunda”. Hebreus 8.

Nos capítulos seguintes (9-10), o apóstolo continua expondo as diferenças entre o sacerdócio terreno e o celestial exercido por Cristo. Destacamos apenas mais alguns textos:

11 – “Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação,

12 – Nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção.

13 – Porque, se o sangue dos touros e bodes, e a cinza de uma novilha esparzida sobre os imundos, os santifica, quanto à purificação da carne,

14 – Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?”. Hebreus 9.

22 – “E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão.

23 – De sorte que era bem necessário que as figuras das coisas que estão no céu assim se purificassem; mas as próprias coisas celestiais com sacrifícios melhores do que estes.

24 – Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus;

25 – Nem também para a si mesmo se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no santuário com sangue alheio;

26 – De outra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo. Mas agora na consumação dos séculos uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo.

27 – E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo,

28 – Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação”. Hebreus 9.

19 – “Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus,

20 – Pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne,

21 – E tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus,

22 – Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa,

23 – Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu”. Hebreus 10.

A esta altura, já está claro qual ordem sacerdotal é superior. No decorrer de todos estes capítulos, Paulo vem exaltando Jesus Cristo e explicando que Ele veio de acordo com o que as Escrituras profetizaram em relação ao Messias. O apóstolo justifica Seu sacerdócio diante de judeus que podiam ter dúvidas do motivo dEle não ter vindo da tribo de Levi. Paulo, então, assevera que Ele é ministro segundo a ordem de Melquisedeque, que é superior à antiga ordem levítica que teve seu fim. No capítulo 7, inclusive, ele usa um argumento bem perspicaz para defender esta superioridade.

4 – “Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu os dízimos dos despojos.

5 – E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm ordem, segundo a lei, de tomar o dízimo do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que tenham saído dos lombos de Abraão.

6 – Mas aquele, cuja genealogia não é contada entre eles, tomou dízimos de Abraão, e abençoou o que tinha as promessas

7 – Ora, sem contradição alguma, o menor é abençoado pelo maior.

8 – E aqui certamente tomam dízimos homens que morrem; ali, porém, aquele de quem se testifica que vive.

9 – E, por assim dizer, por meio de Abraão, até Levi, que recebe dízimos, pagou dízimos.

10 – Porque ainda ele estava nos lombos de seu pai quando Melquisedeque lhe saiu ao encontro”. Hebreus 7.

O Espírito de Profecia também atesta disso, nas seguintes palavras:

“O sumo sacerdote tinha o propósito especial de representar a Cristo, que devia tornar-Se sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque. Esta ordem sacerdotal não devia dar lugar a outra, ou ser superada por outra”. (Redemption: The First Advent of Christ, pág. 14). Comentário Bíblico, Vol. 7, 930.

Desse modo, firmamos solidamente a posição de que a ordem de Melquisedeque, que é baseada em obediência a Deus, não deve ser removida ou sucedida por outra ordem.

João Batista é um personagem importante nesse assunto. Ele, mesmo sendo filho de sacerdote da linhagem levítica, renunciou à genealogia, isto é, se separou daquele sistema a fim de entrar no plano de Deus. (Ver Lucas 1:5-25, 76-80).

No mesmo artigo em que Ellen G. White comenta sobre Melquisedeque, na continuação ela trata do Batista:

“João foi chamado para fazer uma obra especial; devia preparar o caminho do Senhor, endireitar as Suas veredas. O Senhor não o enviou à escola dos profetas e rabis. Levou-o para fora do ajuntamento dos homens, ao deserto, a fim de que aprendesse da natureza e do Deus da natureza. Deus não desejava que ele tivesse o molde dos sacerdotes e príncipes. Foi chamado para fazer uma obra especial. O Senhor foi quem lhe deu sua mensagem. Porventura foi ele aos sacerdotes e príncipes para lhes perguntar se podia proclamar essa mensagem? – Não, Deus o afastou deles, para que não fosse influenciado por seu espírito e ensinamentos. Foi ele a voz do que clama no deserto: “Preparai o caminho do Senhor: endireitai no ermo vereda a nosso Deus. Todo o vale será exaltado, e todo o monte e todo o outeiro serão abatidos; e o que está torcido se endireitará, e o que é áspero se aplainará. E a glória do Senhor se manifestará, e toda a carne juntamente verá que foi a boca do Senhor que isto disse.” Isa. 40:3-5”. (Review and Herald, 18 de fevereiro de 1890). I ME 410.

Para ser sacerdote e seguir o caminho de seu pai Zacarias – sacerdote levítico – João Batista teria que estudar na escola secundária dos judeus – a escola dos profetas e rabis e isso ele não fez. Foi para o deserto. Em complemento, é significativo o fato de que João Batista não buscou a aprovação do Sinédrio para a sua obra. (Ver Mateus 15:8-9; Lucas 3:2-14)

João Batista estava agora pregando e batizando em Betábara, além do Jordão. […] A pregação de João exercera tão profunda influência sobre o povo, que chamara a atenção das autoridades religiosas. O perigo de uma insurreição fez com que todo ajuntamento popular fosse considerado com suspeita por parte dos romanos, e tudo que indicasse um levante do povo despertava os temores dos governadores judeus. João não reconhecera a autoridade do Sinédrio em buscar a sanção do mesmo para sua obra; e reprovava príncipes e povo, fariseus e saduceus semelhantemente. No entanto, o povo o seguia ardorosamente. O interesse em sua obra parecia aumentar de contínuo. Conquanto João não condescendesse com eles, o Sinédrio considerava que, como mestre público, se achava sob sua jurisdição. […]

O Sinédrio não podia razoavelmente adiar uma investigação na obra do Batista. Havia alguns que se recordavam da revelação feita a Zacarias no templo e da profecia do pai, que indicava ser a criança o precursor do Messias. Em meio dos tumultos e mudanças de trinta anos, essas coisas haviam sido em grande parte esquecidas. Eram agora relembradas pelo despertar em torno do ministério de João Batista.

Havia muito desde que Israel tivera um profeta, desde que se testemunhara uma reforma como a que se operava agora. A exigência quanto à confissão do pecado parecia nova e assustadora. Muitos dentre os guias não iam ouvir os apelos e censuras de João, não viessem a ser levados a revelar os segredos da própria vida. Todavia, a pregação dele era um positivo anúncio do Messias. Era bem conhecido que as setenta semanas da profecia de Daniel, abrangendo a vinda do Messias, se achavam quase no fim; e todos estavam ansiosos por partilhar daquela era de glória nacional, então esperada. O Desejado de Todas as Nações,132-133.

Em nossos dias, a garantia para um povo receber poder e continuar no favor de Deus, é a mesma de desde sempre. A condição favorável é mantida pela obediência. Este princípio rege as relações de Deus para com o ser humano.

“O SENHOR está convosco, enquanto vós estais com ele, e, se o buscardes, o achareis; porém, se o deixardes, vos deixará”. II Crônicas 15:2.

“Ah! se tivesses dado ouvidos aos meus mandamentos, então seria a tua paz como o rio, e a tua justiça como as ondas do mar!” Isaías 48:18.

“Não vos fieis em palavras falsas, dizendo: Templo do SENHOR, templo do SENHOR, templo do SENHOR é este. Mas, se deveras melhorardes os vossos caminhos e as vossas obras; se deveras praticardes o juízo entre um homem e o seu próximo; se não oprimirdes o estrangeiro, e o órfão, e a viúva, nem derramardes sangue inocente neste lugar, nem andardes após outros deuses para vosso próprio mal, eu vos farei habitar neste lugar, na terra que dei a vossos pais, desde os tempos antigos e para sempre. Eis que vós confiais em palavras falsas, que para nada vos aproveitam”. Jeremias 7:4-8.

“Dirás, pois: os ramos foram quebrados, para que eu fosse enxertado. Está bem; pela sua incredulidade foram quebrados, e tu estás em pé pela fé. Então não te ensoberbeças, mas teme. Porque, se Deus não poupou os ramos naturais, teme que não te poupe a ti também. Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas para contigo, benignidade, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira também tu serás cortado. E também eles, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque poderoso é Deus para os tornar a enxertar”. Romanos 11-19-23.

“O Senhor Jesus sempre terá um povo escolhido para servi-Lo. Quando o povo judeu rejeitou a Cristo, o Príncipe da Vida, Ele tirou-lhes o reino de Deus e entregou-o aos gentios. Deus continuará lidando com cada ramo de Sua obra de acordo com esse princípio.

Quando uma igreja demonstra ser infiel à Palavra do Senhor, seja qual for sua posição e por mais elevada e sagrada que seja sua vocação, o Senhor não pode mais cooperar com eles. Outras pessoas são então escolhidas para assumir importantes responsabilidades. No entanto, se estes, por sua vez, não purificarem a vida de toda má ação, se não estabelecerem puros e santos princípios em todos os aspectos de sua vida, o Senhor os afligirá e humilhará dolorosamente, e, a não ser que se arrependam, os removerá da posição que ocupam, tornando-os um opróbrio”. (Manuscript Releases, vol. 14, pág. 102). Eventos Finais, 53. [Digital: 59].

A verdadeira sucessão apostólica reside no mesmo princípio anunciado. O que constitui um homem como ministro na ordem evangélica é ele ter uma vida influenciada pelo espírito dos apóstolos, bem como a crença e ensino da verdade defendida por eles.

“[João Batista disse:] Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; e não presumais, de vós mesmos, dizendo: temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão”. Mateus 3:8-9.

“Responderam, e disseram-lhe: Nosso pai é Abraão. Jesus disse-lhes: Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão”. João 8:39.

“Não que a palavra de Deus haja faltado, porque nem todos os que são de Israel são israelitas; nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência. Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência”. Romanos 9:6-8.

“E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa”. Gálatas 3:29.

“Os fariseus haviam declarado ser filhos de Abraão. Jesus lhes disse que essa pretensão só podia ser assegurada mediante a prática das obras de Abraão. Os verdadeiros filhos de Abraão viveram, como ele próprio vivera, uma vida de obediência a Deus. Não buscariam matar Aquele que estava falando a verdade que Lhe fora dada por Deus. Conspirando contra Cristo, os rabis não estavam fazendo as obras de Abraão. Não tinha nenhum valor a simples descendência natural de Abraão. Sem ter com ele ligação espiritual, a qual se manifestaria em possuir o mesmo espírito, e fazer as mesmas obras, não eram seus filhos. Este princípio se relaciona com igual peso a uma questão longamente agitada no mundo cristão – a da sucessão apostólica. A descendência de Abraão demonstrava-se não por nome e linhagem, mas pela semelhança de caráter. Assim a sucessão apostólica não se baseia na transmissão de autoridade eclesiástica, mas nas relações espirituais. Uma vida influenciada pelo espírito dos apóstolos, a crença e ensino da verdade por eles ensinada, eis a verdadeira prova da sucessão apostólica. Isto é que constitui os homens sucessores dos primeiros mestres do evangelho”. O Desejado de Todas as Nações, 467.


Por: Matheus Borges

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