A participação das mulheres no Adventismo

As mulheres sempre desempenharam uma parte na obra de Deus, e não foi diferente no Movimento Adventista. Várias mulheres tiveram papel importante na formação do adventismo, principalmente com seus exemplos de consagração cristã e discernimento. Também nas qualidades como dedicação, lealdade e humildade. Em seguida, faremos um breve relato das histórias de algumas destas mulheres.

Lucy Hersey se converteu aos 18 anos de idade, e sentiu que o Senhor a chamava para tomar parte na causa de Deus. Em 1842, ela aceitou a mensagem do advento. Pouco tempo depois, ela acompanhou seu pai em uma viagem a Nova York, onde um dos crentes pedira que ele falasse a um grupo de pessoas que não era adventista. Aquelas pessoas se opunham fortemente de uma mulher falar em público, assim, aconselharam seu pai de fazer a apresentação sozinho. Entretanto, o Sr. Hersey perdeu a voz. Após um longo silêncio, o crente que lhes havia convidado, apresentou Lucy, e disse que ela era capacitada para falar sobre o assunto. Ela falou com autoridade e clareza, de modo que a reação foi favorável. No dia seguinte, arranjaram um lugar maior para acomodarem mais pessoas para ouvirem a preciosa mensagem. Esse foi o início de uma frutífera obra naquela região.

Elvira Fasset precisou superar a oposição de seu marido. Ele tinha aprendido que as mulheres não deveriam falar em público. Porém, ao ela iniciar seu trabalho, o Senhor a abençoou. O converso mais importante que ela conseguiu, foi seu próprio marido, que testemunhou e reconheceu os esforços de sua esposa como dirigidos por Deus. Depois disso, o casal Fasset atuou como uma equipe ministerial, pregando juntos a mensagem.

Raquel Oakes foi uma ardorosa defensora do Sábado no povoado de New Hampshire – Washington. Certa vez ela dirigiu ao pastor Frederick Wheeler as seguintes palavras: “Queria dizer-lhe que era melhor retirar a mesa da Santa Ceia e cobri-la com uma toalha até que o senhor começasse a guardar os mandamentos de Deus. Quero dizer que o quarto mandamento declara: ‘O sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus’, mas o irmão observa o primeiro dia. O senhor observa o domingo do Papa em vez do sábado do Senhor!”. A influência da viúva Oakes na congregação desta localidade foi muito grande. Cerca de 40 pessoas aceitaram o Sábado como dia de guarda. Mais tarde, ela se casou com Nathan T. Preston e se mudou para longe. Somente no último ano de sua vida achou-se em harmonia com todos os ensinamentos da Igreja.

Roxie Rice e Maria L. Huntley fundaram a Sociedade de Vigilância Missionária em South Lancaster – Massachusetts, animadas, principalmente, pelo conhecido pastor Stephen N. Haskell. Elas visitavam os vizinhos, ajudavam os doentes e necessitados, e enviavam pelo correio milhares de folhetos e livros a pessoas na América do Norte e países distantes.

Annie Smith era a irmã mais velha de Urias Smith, que mais tarde se tornou o conhecido comentarista das profecias de Daniel e Apocalipse. Ela tinha talentos variados, tais como a pintura e poesia. Querendo ser útil na obra de Deus, ela tomou coragem e enviou para a editora adventista um poema intitulado: “Não Temas, Pequeno Rebanho”. Tiago, que era na época o editor das publicações adventistas, ficou muito maravilhado e logo foi publicado o poema. Ele, então, procurou saber mais acerca da jovem. José Bates, que já a conhecia, deu boas recomendações. Foi assim que Tiago convidou ela para fazer parte dos funcionários da recém formada editora. A maior parte do tempo Annie trabalhou como revisora, ainda que, de vez em quando, ela assumisse as responsabilidades de Tiago White quando este viajava. Ela continuou escrevendo poemas e hinos. No decorrer de 3 anos foram publicados 45 poemas e hinos de sua autoria.

Maude Boyd com 16 anos de idade começou a trabalhar na editora adventista. Apesar de cumprir um papel modesto, ela sempre lembrava as palavras do pastor Tiago White de que os que se ocupam de um trabalho mecânico na preparação das literaturas, estão pregando a mensagem do terceiro anjo, tão certamente, como o pastor no púlpito. Assim, ela aprendeu a apreciar seu trabalho, fosse qual fosse. Nessa mesma época os adventistas começaram a entender a importância do dízimo e Maude foi uma das primeiras a dar o exemplo de devolver os dízimos. Ela trabalhou, também, por muito tempo, na obra de colportagem da igreja, isto é, na venda de livros de casa em casa. Em 1877, ela foi para a Suíça a fim de auxiliar o pastor João Andrews na obra de publicação. Maude se tornou a primeira mulher solteira adventista do sétimo dia a ser chamada para ir a um campo missionário estrangeiro. Dois anos mais tarde, ela se tornou uma instrutora bíblica. Quando ela retornou aos Estados Unidos, se casou com um viúvo e juntos fizeram uma obra pioneira no Estado de Nebraska. Também fizeram parte dos primeiros missionários enviados à África, em 1887. Após o falecimento de seu marido, ela trabalhou como professora e instrutora bíblica na Austrália. Voltando para a América, trabalhou 17 anos na Califórnia como instrutora bíblica nos sanatórios. Na velhice, ainda dedicava quatro a cinco horas por dia visitando e estudando a Bíblia com os pacientes do sanatório, ainda que não fosse mais de sua responsabilidade esse encargo.

Sarepta Henry foi uma importante defensora da temperança. Quando ela ficou gravemente doente, entrou em contato com os adventistas, e se convenceu de ir ao Sanatório em Battle Creek para realizar os devidos tratamentos naturais. Os tratamentos e as orações levaram-na à cura e conversão em 1896. Ela foi uma destacada oradora na igreja. Uma de suas frases conhecidas é: “O lar é o coração da igreja”.

Hetty Hurd converteu-se ainda na infância. Porém, mais tarde, perdeu o interesse pela religião. Suas atenções se voltaram para a educação. Ela se tornou uma bem sucedida professora na Califórnia, com um salário considerável. Em 1884, a convite de sua irmã, foi à uma reunião campal dos adventistas. Lá, começou a se interessar no estudo da Bíblia, bem como nos cânticos espirituais. No final das reuniões, ela entregou nas mãos do pastor vários itens de valor, tais como, anéis, correntinhas e outras jóias, pois não as usaria mais. Logo ela deixou de ser professora e se dedicou no trabalho pela igreja. Ela se especializou em ensinar moças a dar estudos bíblicos. Ela era, não somente uma grande instrutora bíblica, mas também, eloquente oradora. Mais tarde, ela veio a se casar com o pastor Stephen Haskell. Juntos efetuaram proveitosa obra na Austrália. Destacamos o diligente auxílio que deram para que o Colégio de Cooranbong virasse realidade. Stephen e Hetty também enfrentaram destemidamente o fanatismo da “carne santa”.

Anna Knight, nascida em uma família negra e pobre do Mississipi, era uma menininha sedenta por conhecimento. Cedo ela entrou em contato com colportores adventistas de outras localidades e eles começaram a lhe enviar as revistas adventistas, bem como alguns livros. Anna “devorava” estas literaturas. Não demorou muito ela aceitou todos os ensinamentos da igreja, incluindo o Sábado, o que lhe causou sérias divergências com a família. Por fim, ela acabou indo morar a 600km de distância com a família do pastor Chambers. Mais tarde, cursou enfermagem no sanatório dirigido pelo Dr. Kellogg. Após se formar, voltou ao Mississipi. Lá, ela começou uma escola para as crianças terem oportunidade de serem devidamente educadas. Na comunidade, ela falava muito sobre saúde e temperança e as pessoas recebiam bem a mensagem. Foi nessa época que, finalmente, a sua família começou a valorizar corretamente tudo o que ela tinha buscado nesses anos. Em 1901, quando estava em uma conferência geral, aceitou o chamado de ser missionária na Índia. Ela ficou 6 anos na Índia, atendendo a diversas necessidades. As experiências e trabalhos de Anna na Índia a tornaram conhecida no meio evangélico. Isso ajudou a diminuir o preconceito que havia, tanto contra os negros, como para com os adventistas. Quando voltou para os Estados Unidos, continuou seu trabalho no Mississipi. Ela descansou no Senhor aos 98 anos.

Minerva Lane Chapman, irmã do destacado pastor João N. Loughborough, era muito conhecida entre os adventistas de sua época. Em 1877 ela foi eleita tesoureira da Associação Geral da igreja. Ao mesmo tempo, foi redatora da revista para os jovens: Youth’s Instructor [Instrutor da Juventude]. Também foi secretária da Sociedade de Publicações, e tesoureira da Sociedade Missionária de Folhetos. Ela atuou nove anos como redatora da revista, tendo recusado aceitar qualquer salário por seus serviços nessa função. Viveu saudavelmente e ativamente até o dia em que faleceu aos 94 anos de idade, enquanto cochilava.

Ellen G. White recebeu o dom profético quando era apenas uma humilde e enferma moça. Poucos poderiam prever que uma frágil garota de 17 anos começaria um frutífero ministério profético que duraria por 70 anos! Verdadeiramente a forma de se realizar a obra divina é de ordem contrária à do mundo, porque Deus escolhe: “as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes” (I Coríntios 1:27). Aos 11 anos de idade ocorreu sua conversão, e com 12 anos se batizou. O pastor Levi Stockman era seu conselheiro humano. Ele era muito afetuoso e seus conselhos lhe foram de ajuda inestimável. Certa vez, com lágrimas nos olhos, ele disse: ”Ellen, tu és tão criança! Tua experiência é muitíssimo singular, numa idade tenra como a tua. Jesus deve estar te preparando para algum trabalho especial” (Vida e Ensinos, 28). Em dezembro de 1844, pouco dias após completar seus 17 anos e pouco tempo depois do Grande Desapontamento, Ellen recebeu sua primeira visão, se tornando assim, a mensageira do Senhor para a igreja remanescente destes últimos dias. Em 30 de agosto de 1846 ela se casou com o pastor Tiago White. Eles trabalharam juntos pela causa de Deus em grande sintonia. O progresso da igreja deve muito a este abençoado enlace matrimonial.

Podemos concluir com confiança que Deus esteve guiando os passos dessas sinceras e devotas mulheres cristãs. Sem dúvida, ainda hoje, assim Deus age, chamando mulheres à ação.

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