A DOUTRINA DO MATRIMÔNIO

No assunto do casamento sempre tem havido tentativas de rebaixamento das normas, semelhante ao que os judeus faziam, devido a ser um povo de dura cerviz. As igrejas, de modo geral – tanto fora como dentro do adventismo – têm fracassado em fazer uma reforma completa.

Cremos que o matrimônio foi divinamente estabelecido no Éden como sagrada união entre um homem e uma mulher. (Gênesis 2:18-24).

Sendo que o autor desta instituição é o próprio Deus, somente com a Sua graça o matrimônio será tudo o que deveria ser. (Provérbios 18:22; I Coríntios 13:1-7; Hebreus 13:4).

Expressa orientação temos de que o cristão deve buscar um cônjuge somente entre as pessoas que compartilham da mesma fé religiosa. (Deuteronômio 7:1-4; Josué 23:11-13; Esdras 9:1-3, 13-15; Provérbios 19:13-14; Amós 3:3; II Coríntios 6:14-16).

O casamento deve também ser formalizado legalmente de acordo com a ordem civil, em obediência às leis e autoridades seculares. (Romanos 13:1-7; Tito 3:1; I Pedro 2:13-17).

O apóstolo Paulo, também orienta, que um casal não deve privar-se das relações íntimas, senão por mútuo consentimento, por algum tempo, para se dedicarem ao jejum e à oração. Paulo conclui dizendo que o casal depois deveria se ajuntar novamente para que Satanás não os tentasse pela incontinência. (I Coríntios 7:3-5).

O mesmo amor que Cristo dá à Igreja deve ser o amor do marido pela esposa. Este amor inclui a orientação de, até mesmo, se sacrificar pela mulher. Esta orientação não é dada às esposas. Para elas a orientação dada é de serem submissas aos maridos, visto que o marido deve ser o “cabeça” da família, isto é, deve ser o dirigente, o líder familiar. Este conceito envolve o reconhecimento de que na gestão familiar interna, ambos devem estar dispostos a ceder em suas idéias, mas o parecer do marido deve ter preferência na resolução. (Efésios 5:20-33; Colossenses 3:18-19; I Timóteo 5:8; Tito 2:3-5; I Pedro 3:7).

Os ensinamentos de Cristo e Paulo encontrados nas Escrituras, são claros em atestar que os votos matrimoniais ligam homem e mulher em laços, que coisa alguma, senão a mão da morte, deve desatar. (Mateus 5:31-32; 19:3-12; Marcos 10:2-12; Lucas 16:18; Romanos 7:2-3; I Coríntios 7:10-11, 39). Os textos ensinam que havendo separação pode-se buscar reconciliação com o cônjuge, ou então que fique só. Entrar em um novo casamento estando o cônjuge vivo é entrar em adultério. (Malaquias 2:13-17).

Deve ser levado em consideração que, mesmo no caso em que a pessoa está com outra pessoa, tendo se separado em “tempos de ignorância”, os quais é dito que Deus não leva em conta, urge saber o que o apóstolo quis dizer. Uma vez que a pessoa obtenha o conhecimento da verdade, vai desfazer o mal que foi feito, em atitude de genuíno arrependimento, tal como o ladrão que roubava e deixa de roubar ou devolve seu dinheiro ilícito. O texto completo de Atos 17:30 declara: “Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam”. O significado é: tais pessoas eram ignorantes do poder de Deus para salvar. O ladrão rouba às escondidas por saber que é crime. Ele só não conhece o poder de Deus para salvar, ou se sabe, não aceita o dom gratuito.

O SIGNIFICADO DE MATEUS 19:9 E MDC 63

Entendemos que a palavra grega pornéia, em Mateus 19:9, se traduz corretamente por fornicação, e não adultério, que tem sua palavra equivalente (moichéia) no grego. Fornicação é a relação sexual por parte de pessoas solteiras, e não deve ser empregada ao se falar de pessoas casadas. Neste caso, a infidelidade sexual é chamada de adultério, visto que o voto matrimonial está sendo violado. Que se saliente serem ambas as práticas (fornicação e adultério) pecados diante de Deus. (Êxodo 20:14; Provérbios 6:23-29; 7:6-27; I Coríntios 6:15-20; I Tessalonicenses 4:3).

Diversos textos bíblicos fazem a distinção entre fornicação e adultério: Oséias 4:13; Mateus 15:19; Marcos 7:21; I Coríntios 6:9-10; Gálatas 5:19-21.

Exegetas concordam que o sentido bíblico da palavra “fornicação” é restrito e não deve ser generalizado. Veja os comentários:

“[Fornicação é:] Relação sexual ilícita por parte de uma pessoa não casada” (Webster’s New Collegiate Dictionary).

“Como a palavra fornicação nada mais significa que a união ilícita de pessoas não casadas, não pode ser empregada aqui (Mateus 5:32) com propriedade, quando se fala dos que são casados” (Clarke’s Commentary).

Sendo assim, a cláusula de exceção de Mateus 5:32 e 19:9 (“a não ser por causa de fornicação”), se refere a uma espécie de garantia para o noivo que na noite de núpcias descobrisse uma possível enganação por parte da moça, quanto à sua virgindade, o qual anularia os votos naquelas circunstâncias. Jesus considerou este caso como justificável e que não seria devido à dureza de coração. Jesus se referiu a Deuteronômio 22:20-21.

É a isto que Ellen G. White se refere ao dizer que: “No Sermão do Monte, Jesus declarou plenamente que não podia haver dissolução do laço matrimonial, a não ser por infidelidade do voto conjugal” (MDC 63).

Notemos que ela usa a preposição “do” e não “ao”. Sendo que, se fosse “ao”, seria referente a ser infiel ao que prometeu no dia do casamento, mas, ao usar a preposição “do”, subtendemos que a infidelidade provém do voto feito em si, ou seja, que há alguma fraude por parte da pessoa ao fazer o voto.

Esta explicação está de acordo com a resposta do site Ciber Dúvidas da Língua Portuguesa à nossa consulta em relação ao texto em questão: “A preposição de indica, normalmente, o ponto de partida, a origem ou a posse; a preposição a indica, normalmente, proximidade, destino ou movimento para. […] Em relação ao texto apresentado, a preposição de induz-nos a subentendermos que a infidelidade provém do voto conjugal, que, realmente, não possui vontade própria; mas, se usarmos a preposição a, subentendemos que alguém foi infiel ao voto, ou seja, infiel àquilo que prometeu”.

CONCLUSÃO

Apesar de que na lei civil mosaica tenha sido de fato permitido o divórcio e novo casamento (Deuteronômio 24:1-4), a Bíblia declara que o Senhor odeia o divórcio. (Malaquias 2:16; Lucas 17:27). Cristo comenta que isso foi permitido devido à dureza dos corações, mas que no princípio não fora o casamento instituído desse modo pelo Criador. (Mateus 19:3-8). Em palavras das mais enfáticas, Ele declarou: “Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem”. (Mateus 19:6). Temos ainda no texto a reação dos discípulos e a fala final do Mestre. Nelas é demonstrado que aquele que faz o voto matrimonial, faz uma escolha para a vida toda. Se eventualmente revelar-se uma escolha errada, poderá acarretar a separação, e não havendo possibilidade de reconciliação, Deus capacitará a pessoa a permanecer só, seguindo a Sua vontade. (Mateus 19:10-12 e MDC 65). Os discípulos, na conversa com Jesus, entenderam o assunto e disseram: “Se assim é… não convém casar”.

O Senhor deseja que a Sua Igreja efetue a obra de restaurar o matrimônio à sua dignificante posição original. Assim se referiu Pedro ao dizer que Jesus está retido no Céu, e não desce, até o tempo da restauração de todas as coisas. (Atos 3:19-21)