Jó

Aprendizado do Livro de Jó

“Aflições são freqüentemente misericórdias disfarçadas. Não sabemos o que seríamos sem elas.” Jesus Meu Modelo, 328.

A maior parte do conteúdo bíblico são porções históricas. Para muitos, esta descoberta ocorre de forma inesperada uma vez que esperavam encontrar algo parecido com um tratado sistemático de teologia. Interessante notar que, para além dos livros históricos, mesmo nas porções poéticas são feitas constantes referências a eventos que o povo de Deus viveu. Nas partes doutrinárias muitos argumentos que são empregados usam como base fatos históricos. Portanto, fica nítido que a revelação que o Senhor escolheu fazer através das páginas inspiradas foi a da Divindade profundamente envolvida na história humana. Apesar desta misericordiosa revelação a nós, quando tentamos compreender especificamente as ações de Deus em nossa vida, muitos vezes não conseguimos discernir os propósitos da Divina Providência.

O exemplo extremo desta questão se encontra na experiência que Jó passou. Para entendermos completamente a questão devemos nos colocar no lugar de Jó. Muitas vezes, quando lemos a sua história, nos esquecemos que a olhamos de uma perspectiva privilegiada. Nos dois primeiros capítulos do “Livro de Jó” o enigma já é resolvido. Satanás está por detrás de todas as mortes e infortúnios que lhe assolam repentinamente a vida. O relato também mostra a “convicção” de Deus quanto a integridade de Jó. Porém, o patriarca nada sabe acerca destes diálogos de Deus com Satanás. Ele é levado rapidamente a uma condição em que deve manter sua fé sozinho. O melhor conselho que sua esposa julga ter é dizer para ele amaldiçoar a Deus e morrer. Seus amigos o acusam de ter um grave pecado secreto que acarretou consequências equivalentes. Assim, o que pode parecer em algumas passagens uma certa arrogância (auto justificação) de Jó, deve ser entendido dentro deste contexto. Eram palavras de um homem desesperado que tenta se defender dos cruéis ataques daqueles que deveriam ser seus amigos. Suas palavras exasperadas eram principalmente dirigidas a Deus. Eram desabafos diante do Único que lhe conhecia o coração e sabia de sua inocência.

Ellen G. White declara que: “Os professos amigos de Jó eram fracos confortadores, tornando seu caso mais amargo e insuportável, e Jó não era culpado como eles supunham. Os que estão sob a dor e a angústia de seus próprios malfeitos, enquanto Satanás procura levá-los ao desespero, são justamente as pessoas que mais necessitam de auxílio. A intensa agonia da alma vencida por Satanás e que se sente derrotada e indefesa – quão pouco é compreendida pelos que deviam atender com terna compaixão aos que erram!”. Testemunhos para Ministros, 350.

Se mesmo com uma pessoa culpada devemos exercer tato e amor a fim de resgatá-la das garras do inimigo, podemos compreender quão detestável foi a atitude dos amigos de Jó.

Infelizmente a lição de que desgraças podem sobrevir aos fiéis não foi aprendida pelos judeus. Ellen G. White comenta: “A história de Jó mostrara que o sofrimento é infligido por Satanás, mas Deus predomina sobre ele para fins misericordiosos. Mas Israel não entendera a lição. O mesmo erro pelo qual Deus reprovara os amigos de Jó, repetiu-se nos judeus em sua rejeição de Cristo”. O Desejado de Todas as Nações, 471. A partir deste texto temos uma noção de quão importante teria sido que eles tivessem aprendido esta lição.

Muitas lições podem ser aprendidas pela leitura do “Livro de Jó”, mas, talvez o aspecto mais intrigante esteja na conclusão da história de Jó. Quando Deus se revela a Jó do meio de um redemoinho, Ele não dá explicações didáticas, mas faz cerca de 60 questionamentos. Estas perguntas retóricas foram importantes para que Jó tivesse consciência da majestade e soberania de Deus sobre a natureza. A lição que Jó devia aprender é que Deus também é soberano mesmo em meio à nossa raça decaída que preferiu Satanás. Devido a essa escolha, ficamos imensamente expostos aos terríveis sofrimentos desferidos por esse inimigo de toda alma. Porém, Deus age para fins misericordiosos até mesmo através da dor atroz.

O fato de Deus não explicar para Jó que era Satanás que tinha lhe infligido o mal, talvez seja porque não resolveria totalmente a questão. Como o próprio livro deixa claro, Satanás só operou o mal contra Jó uma vez que o Senhor permitiu. Realmente a grande lição que teimamos muitas vezes em não aprender é que devemos confiar incondicionalmente em Deus.

Por fim, devemos ainda considerar que Deus age através da dor para fins misericordiosos devido a ser necessário o refinamento de nosso caráter com o calor da aflição. Inspirada por Deus, Ellen G. White nos diz:

“Deus dirige Seus filhos por um caminho que eles não conhecem; mas não Se esquece dos que nEle põem a confiança, nem os rejeita. […] As mesmas provações que da maneira mais severa provam a nossa fé, e fazem parecer que Deus nos abandonou, devem levar-nos para mais perto de Cristo, para que possamos depor todos os nossos fardos a Seus pés, e experimentar a paz que Ele, em troca, nos dará”. Patriarcas e Profetas, 129.

“Aflições são freqüentemente misericórdias disfarçadas. Não sabemos o que seríamos sem elas. Quando Deus, em Sua misteriosa providência, impede todos os nossos acariciados planos, e recebemos tristeza no lugar de alegria, devemos nos curvar em submissão e dizer: “Seja feita a Tua vontade, ó Deus.” Precisamos alimentar uma calma e devota confiança nAquele que nos ama, e que deu Sua vida por nós”. Jesus Meu Modelo, 328.

“É possível que, para a formação de nosso caráter, muito trabalho seja ainda requerido e sejamos ainda pedra tosca que tem de ser burilada antes de poder preencher dignamente seu lugar no templo de Deus. Não devemos nos surpreender, pois, que, com o martelo e o cinzel, Deus Se ponha a desbastar as arestas para ocuparmos o lugar que nos destina. Ser humano algum pode efetuar essa obra. Só Deus a pode executar. E podemos estar certos de que nenhum golpe será dado em falso. Todos os Seus golpes são dados com amor, para a nossa felicidade perpétua. Ele conhece nossas fraquezas e trabalha para restaurar, não para destruir”. Jesus Meu Modelo, 239.

Que possamos, igual ao salmista, declarar pela fé: “Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, o qual é a salvação da minha face, e o meu Deus”. (Salmos 42:11).

A lição de Escola Sabatina Em Busca da Verdade se propõe a ser uma jornada progressiva em busca das verdades reveladas nas Escrituras, das mais fáceis às mais desafiadoras. Talvez, entre as verdades mais difíceis de serem aceitas, estejam as ensinadas no “Livro de Jó”. Aceitamos, com muito mais facilidade, verdades que só criam mudança intelectual. No entanto, quando somos advertidos de que Deus age para nossa felicidade perpétua mandando duras provações, esta é uma verdade que preferimos ignorar e achar que em nosso caso não se aplica.

Confiar que Deus está no controle dos eventos deste mundo e que estamos sob Seu especial cuidado, quando parece que tudo está um caos e que estamos prestes a perecer, é um poderoso ato de fé próprio do cristão genuíno.

Enquanto o grande conflito entre as forças do bem e do mal se acirra, que cada um esteja preparado para os imensos perigos reservados para estes últimos dias.

Que cada um esteja firmado no exemplo do patriarca Jó e diga: “Ainda que Ele me mate, nEle esperarei”. “Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra. E depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus, Vê-lo-ei, por mim mesmo, e os meus olhos, e não outros o contemplarão”. (Jó 13:15; 19:25-27).

Um comentário em “Aprendizado do Livro de Jó

  1. Textos maravilhosos! A princípio, duro de aceitar, do mesmo modo que os discípulos disseram a Jesus em um de seus sermões: “duro é esse discurso” (João 6:60). Mas analisando mais atentamente, de fato, vemos a grande misericórdia e amor de Deus para com nós, serem caídos. O plano dEle é infinitamente maior, visa não está vida curta e cheia de tormentas, mas a do porvir, a eterna.

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